Atualizado em 11 de outubro de 2026. Os saques da Bitget voltaram por etapas entre 28 de setembro e 2 de outubro, começando pelo bitcoin. O fundo de proteção da empresa, que passava de US$ 464 milhões antes do ataque, voltou ao patamar de pouco mais de US$ 300 milhões depois de cobrir o prejuízo. Este artigo acompanha um caso em andamento e será revisado conforme a empresa divulgar novas informações.
Na tarde de 24 de setembro, a Bitget, uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo e muito usada por brasileiros, confirmou que sofreu um ataque hacker. Segundo a própria empresa, cerca de US$ 387,5 milhões saíram de carteiras da corretora sem autorização. Logo depois, os saques foram suspensos. Eles voltaram por etapas entre 28 de setembro e 2 de outubro, começando pelo bitcoin.
Se você tem saldo na Bitget, a pergunta que importa é uma só: o meu dinheiro está seguro? Neste artigo explicamos o que se sabe até agora, o que a empresa prometeu, o que significa o tal “fundo de proteção” e o que você pode fazer hoje para se proteger.
Resumo rápido: os hackers atingiram as carteiras de uso diário da Bitget, não as reservas guardadas offline. A empresa afirma que o saldo dos clientes está intacto e usou um fundo próprio para cobrir o prejuízo. Os saques voltaram por etapas entre 28 de setembro e 2 de outubro, começando pelo bitcoin. Até aqui, não há perda anunciada para os clientes. Se o seu saque não saiu, ou saiu menor do que o seu saldo, guarde as provas agora e desconfie de qualquer mensagem oferecendo “liberar” ou “recuperar” seus fundos.
O que aconteceu com a Bitget
Às 15h31 de 24 de setembro, horário de Brasília, os sistemas de segurança da Bitget detectaram transferências não autorizadas saindo de algumas de suas carteiras. Em cerca de uma hora, centenas de milhões de dólares em Ethereum, BNB, AVAX, USDT e outras criptomoedas foram parar em endereços controlados pelos atacantes.
De acordo com as primeiras explicações da empresa, os invasores não roubaram as chaves das carteiras. Eles invadiram um sistema interno da corretora e forjaram pedidos de transferência, que foram aprovados como se fossem legítimos. A diretora executiva da Bitget, Gracy Chen, disse suspeitar de hackers ligados à Coreia do Norte, grupo responsável por vários dos maiores ataques a corretoras dos últimos anos.
Para entender o alcance do problema, vale conhecer a diferença entre dois tipos de carteira que toda corretora usa:
- Carteiras quentes (hot wallets): ficam conectadas à internet e servem para processar os saques e depósitos do dia a dia. Foram essas as atingidas.
- Carteiras frias (cold wallets): ficam desconectadas da internet e guardam a maior parte das reservas. Segundo a Bitget, essas continuam intactas.
Primeiro, a empresa informou US$ 351,6 milhões. Depois, revisou o total para cerca de US$ 387,5 milhões, ao incluir valores em Zcash e TRON que não estavam na primeira conta. A Bitget diz que a falha foi identificada e corrigida, com apoio das empresas de segurança Mandiant e SlowMist, e que não houve novas transferências indevidas.
Depois do ataque, a corretora suspendeu os saques para revisar a segurança. Depósitos e negociações seguiram funcionando.
Quando os saques da Bitget voltaram
A Bitget publicou o calendário de retomada em 26 de setembro e o cumpriu em etapas, sempre às 5h da manhã, no horário de Brasília:
- 28 de setembro: bitcoin (BTC).
- 29 de setembro: Ethereum (ETH), nas redes Ethereum, BSC, Arbitrum, Base e Optimism.
- 30 de setembro: USDT, nas redes Ethereum, BSC, Solana e TRON.
- 2 de outubro: as demais criptomoedas, os saques em moeda tradicional e o P2P.
A empresa tratou essas datas como previsão e disse que liberaria as demais moedas e redes assim que possível. O cliente não precisava fazer nada: o saque de cada moeda ficava disponível sozinho na data prevista.
Não encontramos confirmação pública e independente de que todas as moedas e redes voltaram exatamente nas datas anunciadas. Por isso, se o seu saque continua travado, ou se o valor liberado não bateu com o seu saldo, registre isso agora: print da tela com data e hora, o protocolo aberto no suporte e a resposta que você recebeu. É esse registro que sustenta um pedido depois.
Meu saldo na Bitget está seguro?
Pelo que a própria Bitget declarou, sim. A empresa afirma que os saldos dos clientes continuam corretos e usou o seu Fundo de Proteção ao Usuário para cobrir o valor roubado. Esse fundo passava de US$ 464 milhões quando a Bitget detalhou a resposta ao ataque, e a diretora executiva informou depois que ele voltou ao patamar de pouco mais de US$ 300 milhões, que é o piso que a empresa se comprometeu a manter. A Bitget também mantém reservas acima do total depositado pelos clientes, segundo a prova de reservas que ela mesma divulgou em setembro.
Mas é importante separar duas coisas:
- Saldo na tela não é dinheiro na mão. Enquanto os saques estiveram suspensos, ninguém conseguiu tirar dinheiro da corretora, por maior que fosse o número que aparecia no aplicativo. Foram quatro dias para quem tinha bitcoin e mais de uma semana para quem tinha saldo em reais.
- Declaração da empresa não é garantia. As informações disponíveis até agora vêm da própria Bitget. Elas podem se confirmar, e em ataques anteriores a outras corretoras grandes os clientes foram de fato ressarcidos. E o cenário só fica claro quando o cliente consegue sacar o valor completo, o que é uma conferência individual, conta por conta.
Em resumo: não há motivo para pânico, e também não há motivo para ficar parado. O que você faz hoje pode fazer diferença lá na frente se algo sair do previsto.
O fundo de proteção da Bitget é um seguro?
Não. E essa diferença importa.
O Fundo de Proteção ao Usuário é uma reserva mantida pela própria Bitget. Não é uma apólice contratada com uma seguradora, não tem garantia de terceiro e não funciona como o FGC, o Fundo Garantidor de Créditos que protege depósitos em bancos brasileiros. Criptomoedas não têm cobertura do FGC em nenhuma hipótese.
Na prática, isso significa que o fundo cobre o rombo enquanto a empresa decidir e conseguir usá-lo para isso. Você não tem um contrato de seguro para acionar. Este caso mostrou isso de forma concreta: o fundo passava de US$ 464 milhões antes do ataque e ficou em pouco mais de US$ 300 milhões depois de cobrir o prejuízo. Ele funcionou, e encolheu quase um terço de uma vez. Seguro não encolhe quando é usado. Se quiser entender melhor como funcionam essas proteções, explicamos em detalhe no artigo sobre seguro em corretoras de criptomoedas.
O que fazer agora se você tem dinheiro na Bitget
- Registre o seu saldo hoje. Faça capturas de tela do saldo de cada criptomoeda, do histórico de depósitos e das ordens abertas, com data e hora visíveis. Baixe também o extrato pelo próprio aplicativo, se a opção estiver disponível. Print sozinho é uma prova frágil, e explicamos por quê no artigo Print é Prova Frágil. Mas é o primeiro passo, e é melhor ter do que não ter.
- Guarde todos os comunicados oficiais. E-mails, avisos no aplicativo e publicações da Bitget sobre o ataque e sobre a devolução. Eles registram o que a empresa prometeu.
- Reforce a segurança da sua conta. Confira se a autenticação em dois fatores está ativa e troque a senha se ela for repetida em outros serviços.
- Não entre em pânico nem venda às pressas. Decisões tomadas no susto, como vender tudo com prejuízo dentro da corretora, costumam custar mais caro do que esperar a situação se definir.
- Desconfie de qualquer oferta de ajuda que chegue até você. Depois de todo ataque a uma corretora grande, golpistas se passam por suporte da empresa ou por “especialistas em recuperação” e pedem senha, código de verificação ou uma taxa para “liberar” o saque. A Bitget não vai pedir isso. Veja como esse golpe funciona no artigo sobre o golpe do falso suporte técnico.
Circle e Tether congelaram parte do dinheiro roubado. O que isso ensina
Um detalhe deste caso mostra bem como funciona a recuperação de criptomoedas. Horas depois do ataque, a Circle e a Tether, empresas que emitem as criptomoedas USDC e USDT, bloquearam uma das carteiras dos hackers. O valor congelado foi de cerca de US$ 318 mil, uma fração mínima do total.
Por que tão pouco? Porque os hackers converteram rapidamente quase tudo para Ethereum, e Ethereum não tem uma empresa emissora capaz de congelar. Só criptomoedas com uma empresa por trás, como USDT e USDC, podem ser bloqueadas dessa forma.
A própria Bitget passou a oferecer recompensa a quem ajudar: 5% do valor que for congelado e 5% do valor que for recuperado, para quem contribuir voluntariamente com o resultado.
Isso vale para qualquer pessoa que tenha perdido criptomoedas, não só para grandes corretoras: quanto mais rápido se age, maior a chance de o dinheiro ainda estar em um lugar onde pode ser congelado. E congelar ainda não é devolver. A devolução ao dono depende de um caminho próprio, que explicamos no vídeo abaixo.
Quando o problema com a Bitget vira caso jurídico
Se a Bitget cumprir o que prometeu, a maior parte dos clientes não vai precisar de advogado. Agora que os saques voltaram, a situação muda se:
- o saque continuar bloqueado por tempo indefinido, sem explicação;
- o valor liberado for menor do que o saldo que você tinha;
- a sua conta for restringida ou encerrada sem justificativa.
Nesses casos, é possível buscar a Justiça brasileira. A Bitget é uma empresa estrangeira, mas oferece seus serviços a brasileiros, em português e com depósito por Pix. Quando a relação é de consumo e o consumidor mora no Brasil, a lei brasileira permite que a ação seja proposta aqui, e o Código de Defesa do Consumidor se aplica.
Isso não quer dizer que seja simples. Corretoras estrangeiras costumam criar dificuldades para receber a citação e para cumprir decisões, e cada caso precisa ser analisado com as provas que você tem. Tratamos desses obstáculos no artigo Bitget é confiável? e no guia sobre como processar uma corretora por bloqueio ou falha.
Também vale lembrar que o Banco Central passou a regulamentar as corretoras de criptomoedas que atuam no Brasil. As novas regras aumentam a pressão sobre as plataformas estrangeiras que atendem brasileiros, e é um tema que continuamos acompanhando.
Perguntas frequentes
A Bitget vai devolver o dinheiro dos clientes?
A empresa afirma que sim e que nenhum cliente terá prejuízo, porque cobriu o valor roubado com o seu fundo de proteção. Os saques voltaram por etapas entre 28 de setembro e 2 de outubro. A confirmação real é individual: vale quando você consegue sacar o valor completo do seu saldo.
Quando os saques da Bitget voltam?
Já voltaram. Por etapas, sempre às 5h da manhã no horário de Brasília: bitcoin em 28 de setembro, Ethereum em 29 de setembro, USDT em 30 de setembro, e as demais criptomoedas, os saques em moeda tradicional e o P2P a partir de 2 de outubro. Se o seu continua travado depois dessas datas, o caso deixa de ser a suspensão geral e passa a ser um problema da sua conta.
Devo tirar meu dinheiro da Bitget quando os saques voltarem?
É uma decisão pessoal, que depende do seu perfil. Um cuidado geral vale para qualquer corretora: não deixar parado nela mais do que você precisa para negociar. Veja também como saber se uma corretora é segura.
Alguém entrou em contato oferecendo recuperar meus fundos da Bitget. É confiável?
Muito provavelmente é golpe. A Bitget não pede senha, código de verificação nem pagamento de taxa para liberar ou antecipar saque. Nunca envie criptomoedas ou dados de acesso para quem procurou você oferecendo ajuda.
Precisa de orientação?
Se o seu saque na Bitget não for liberado, se o valor não bater com o seu saldo, ou se você tiver dúvidas sobre como guardar as provas do seu caso, nossa equipe pode analisar a sua situação. Conheça a nossa atuação em casos com criptomoedas. O atendimento é pelo WhatsApp (34) 9 9644-6050.
Fontes: calendário oficial de retomada dos saques e demais comunicados da Bitget, e reportagens da CoinDesk, da Bloomberg, da CNBC e da CoinDesk Brasil, da crypto.news e do BleepingComputer.

